Para o espanto de alguns a prostituição é legalizada no Brasil. Não sou advogado ou jurista mas pelo que entendi com muitas conversas com alguns deles a situação é mais menos assim. Embora não conste nenhuma profissão da indústria do sexo no rol de profissões do ministério do trabalho a jurisprudência entende que é legal vender os seu próprio serviço sexual, mas é ilegal vender o serviço sexual de outra pessoa.
Isso coloca o Brasil numa posição onde a prostituição é legal, mas o cafetão ou intermediários não são. Isso criar algumas características muito próprias do funcionamento da prostituição em São Paulo que passei a entender depois de estudar para escrever o roteiro da Rua Augusta.
Se você já ouvi o termo “zona” para se referir à um “puteiro” ou qualquer estabelecimento ou local relativo aos profissionais do sexo, saiba que este termo nasceu em São Paulo.
Em 1940 Adhemar de Barros governava a cidade de São Paulo (nesta época como interventor federal apontado pelo presidente Getúlio Vargas, e depois chegou governar como prefeito eleito). O interventor se via com uma queixa de famílias e comerciantes que o centro se via tomado por profissionais do sexo em todos os cantos, então em defesa da moral decretou que as meretricias só poderiam trabalhar na zona de delimitada pela prefeitura que contaria com atividade da polícia e da vigilância sanitária para manter a ordem e saúde pública. O local escolhido foi entre as rua Aimorés e Professor Cesare Lombroso. No Bom retiro ao lado da rua José Paulino. O local foi escolhido pois era longe o suficiente do centro para não incomodar as famílias e comerciantes, perto o suficiente do centro para que os homens se deslocassem até lá e ao mesmo tempo era um região povoada na maioria por imigrantes que não integravam a vida política e social da cidade. A “Zona” durou 13 anos até o decreto ser revogado.
Mas para frente no tempo a rua Augusta se tornou por um tempo um grande reduto de prostituição pois estava entre o centro e a avenida Paulista e próximo a muitos hotéis em voltados para turista de negócios. E na Augusta conviveram três formatos de prostituição.
O primeiro a surgir foram as saunas mistas, uma delas, inclusive, o Balneário permanece em operação até hoje. São ambientes onde as pessoas já estão com menos ou nenhuma roupa, a sauna não pode oferecer o serviço de sexo e ganham dinheiro com a entrada, aluguel do armário, bebidas e comida e aluguel de quartos. E os serviços são negociados diretamente e entre os clientes e as meninas. Essa operação começa durante o dia e avança pela noite.
O segundo formato que conviveu na Augusta e o que ficou mais famoso foi o American Bar. Basicamente é uma casa noturna ou balada. O referido American Bar é um longo balcão de bar com o bartender de um lado e os clientes sentados ao balcão, formato que até então não existia em São Paulo. Aqui é um exemplo da Augusta é o Casarão American Bar que é uma casa noturna e um hotel. Então ela cobra entrada da casa noturna, vende bebidas e aluga os quartos do hotel. E os programas, como são chamados, são negociados e fechado diretamente com as meninas
O terceiro formato que co-existiu na rua Augusta foi a prostituição de rua, cada vez mais rara hoje principalmente pela falta de segurança tanto das mulheres como dos clientes, mas na década de 90 na Augusta foi seu auge ao ponto de formar trânsito na rua desde a Martins Fontes até a av. Paulista somente dos clientes e curiosos con as mulheres que ali trabalhavam. Neste período os três formatos transformavam a rua Augusta no centro da luxúria em São Paulo.
Existem alguns outros formatos que valem mencionar.
As Casas de Massagem normalmente para se diferenciar de casas de massagens em que só se faz massagem elas anunciam como massagem thailandesa, centro estético masculino ou massagem sensual. Se dentro do cardápio tiver massagem four hands é um grande indício que o foco não é massagem. Algumas destas casas exigem que as meninas realmente saibam fazer massagem, outras não, e exitem também as que realmente fazem massagens sensuais como nuru e lingam sem o ato sexual. Aqui para se enquadrar na lei normalmente quando os cliente chega as meninas vão até a recepção se apresentam e o cliente escolhe com quer realizar o programa e as meninas são remuneradas por programa.
Os prives são prédios normalmente no centro onde as meninas alugam os apartamentos e vendem seus serviços na porta, alguns funcionam no esquema das casas de massagem, mas sem a parte de massagem, aqui é o fast food do sexo, normalmente tem um preço baixo, um alto fluxo de pessoas e programas de duração mais curta.
Cinemas eróticos. São cinemas que exibem filmes pornográficos, geralmente vários simultaneamente. Aqui o cinema ganha só com entrada e consumo e dentro do cinema alguma meninas oferecem seus serviços em que ocorrem na própria sala de cinema ou em cabines mais reservadas. Aqui também se encontram alguns exibicionistas, praticantes de dogging e casais de swing.
Freelancer são as meninas que atendem em flats, hotéis e motéis geralmente anunciam seus serviços em sites especializados ou no twitter, recentemente muitas delas estão trocando os programas por venda de conteúdos eróticos onlines e vídeos chamadas, movimento que se iniciou com a pandemia.




