Prostituição

Para o espanto de alguns a prostituição é legalizada no Brasil. Não sou advogado ou jurista mas pelo que entendi com muitas conversas com alguns deles a situação é mais menos assim. Embora não conste nenhuma profissão da indústria do sexo no rol de profissões do ministério do trabalho a jurisprudência entende que é legal vender os seu próprio serviço sexual, mas é ilegal vender o serviço sexual de outra pessoa.

Isso coloca o Brasil numa posição onde a prostituição é legal, mas o cafetão ou intermediários não são. Isso criar algumas características muito próprias do funcionamento da prostituição em São Paulo que passei a entender depois de estudar para escrever o roteiro da Rua Augusta.

Se você já ouvi o termo “zona” para se referir à um “puteiro” ou qualquer estabelecimento ou local relativo aos profissionais do sexo, saiba que este termo nasceu em São Paulo.

Em 1940 Adhemar de Barros governava a cidade de São Paulo (nesta época como interventor federal apontado pelo presidente Getúlio Vargas, e depois chegou governar como prefeito eleito). O interventor se via com uma queixa de famílias e comerciantes que o centro se via tomado por profissionais do sexo em todos os cantos, então em defesa da moral decretou que as meretricias só poderiam trabalhar na zona de delimitada pela prefeitura que contaria com atividade da polícia e da vigilância sanitária para manter a ordem e saúde pública. O local escolhido foi entre as rua Aimorés e Professor Cesare Lombroso. No Bom retiro ao lado da rua José Paulino. O local foi escolhido pois era longe o suficiente do centro para não incomodar as famílias e comerciantes, perto o suficiente do centro para que os homens se deslocassem até lá e ao mesmo tempo era um região povoada na maioria por imigrantes que não integravam a vida política e social da cidade. A “Zona” durou 13 anos até o decreto ser revogado.

Mas para frente no tempo a rua Augusta se tornou por um tempo um grande reduto de prostituição pois estava entre o centro e a avenida Paulista e próximo a muitos hotéis em voltados para turista de negócios. E na Augusta conviveram três formatos de prostituição.

O primeiro a surgir foram as saunas mistas, uma delas, inclusive, o Balneário permanece em operação até hoje. São ambientes onde as pessoas já estão com menos ou nenhuma roupa, a sauna não pode oferecer o serviço de sexo e ganham dinheiro com a entrada, aluguel do armário, bebidas e comida e aluguel de quartos. E os serviços são negociados diretamente e entre os clientes e as meninas. Essa operação começa durante o dia e avança pela noite.

O segundo formato que conviveu na Augusta e o que ficou mais famoso foi o American Bar. Basicamente é uma casa noturna ou balada. O referido American Bar é um longo balcão de bar com o bartender de um lado e os clientes sentados ao balcão, formato que até então não existia em São Paulo. Aqui é um exemplo da Augusta é o Casarão American Bar que é uma casa noturna e um hotel. Então ela cobra entrada da casa noturna, vende bebidas e aluga os quartos do hotel. E os programas, como são chamados, são negociados e fechado diretamente com as meninas

O terceiro formato que co-existiu na rua Augusta foi a prostituição de rua, cada vez mais rara hoje principalmente pela falta de segurança tanto das mulheres como dos clientes, mas na década de 90 na Augusta foi seu auge ao ponto de formar trânsito na rua desde a Martins Fontes até a av. Paulista somente dos clientes e curiosos con as mulheres que ali trabalhavam. Neste período os três formatos transformavam a rua Augusta no centro da luxúria em São Paulo.

Existem alguns outros formatos que valem mencionar.

As Casas de Massagem normalmente para se diferenciar de casas de massagens em que só se faz massagem elas anunciam como massagem thailandesa, centro estético masculino ou massagem sensual. Se dentro do cardápio tiver massagem four hands é um grande indício que o foco não é massagem. Algumas destas casas exigem que as meninas realmente saibam fazer massagem, outras não, e exitem também as que realmente fazem massagens sensuais como nuru e lingam sem o ato sexual. Aqui para se enquadrar na lei normalmente quando os cliente chega as meninas vão até a recepção se apresentam e o cliente escolhe com quer realizar o programa e as meninas são remuneradas por programa.

Os prives são prédios normalmente no centro onde as meninas alugam os apartamentos e vendem seus serviços na porta, alguns funcionam no esquema das casas de massagem, mas sem a parte de massagem, aqui é o fast food do sexo, normalmente tem um preço baixo, um alto fluxo de pessoas e programas de duração mais curta.

Cinemas eróticos. São cinemas que exibem filmes pornográficos, geralmente vários simultaneamente. Aqui o cinema ganha só com entrada e consumo e dentro do cinema alguma meninas oferecem seus serviços em que ocorrem na própria sala de cinema ou em cabines mais reservadas. Aqui também se encontram alguns exibicionistas, praticantes de dogging e casais de swing.

Freelancer são as meninas que atendem em flats, hotéis e motéis geralmente anunciam seus serviços em sites especializados ou no twitter, recentemente muitas delas estão trocando os programas por venda de conteúdos eróticos onlines e vídeos chamadas, movimento que se iniciou com a pandemia.

Uber Days

Certa vez quando eu era criança me perguntaram na escola: ” O que você gostaria de ser quando crescer?” Minha resposta foi taxista porque neste dia em questão os taxistas estavam fazendo uma greve e eu acha que pessoas deveriam continuar usando o serviço.

Talvez tenha sido um desejo de criança reprimido, mas eu já trabalhei como Uber. Eu gosto de encontrar pessoas e escutar suas histórias, gosto de contar histórias, por isso estou aqui, eu tenho muito prazer em servir e na hospitalidade em geral e por último e mais importante eu gosto muito de dirigir.

Antes mesmo se tirar CNH eu já tinha feito um curso no centro de pilotagem do futuro (CPF) e fui lá algumas vezes para dirigir karts ou mini buggys. Desde de que tirei carta sempre levava os amigos e os familiares de carona para cima e para baixo, o que me levou a conhecer ainda mais a cidade, parte da minha família é do interior de São Paulo e toda eu era eleito o motorista da ocasião, e é claro como nunca fui muito amigo do álcool, quando saia a noite com os amigos, sempre era eu que voltava dirigindo , mesmo quando o carro não era meu.

Em um dado momento da Klab a empresa era capaz de pagar as próprias contas, mas não sobrava o suficiente para retirar um salário, as economias de outros trabalhos já estavam acabando, então o plano era trabalhar na Klab 3 dias por semana, fazer Uber 2 dias por semana e nos fins de semana mais Uber quando não houvesse feira.

Troquei meu carro grande, espaçoso, caro e velho por um popular ,0km de manutenção barata, econômico e mais importante na garantia. Comprei um celular de trabalho, afinal caso acontece alguma coisa durante o trabalho de Uber, não queria que o ladrão tivesse acesso a minha conta bancária e mais importante às contas da Klab. E de quebra os clientes e fornecedores da Klab não iam fica ligando e e mandando whatsapp no meio das corridas.

Cadastrei na plataforma, fiz o curso, cadastrei o carro, tudo pronto e num domingo sem feira de julho resolvi testar a Uber. Resolvi iniciar de um lugar que com certeza teria corridas, fui até o parque do Ibirapuera e liguei o aplicativo, logo de cara ele me sugeri que tem um movimento maior que o normal próximo ao Lourenço castanho (escola) coloco no GPS e vamos para lá. chegando no local indicado paro o carro e logo em seguida já toca a primeira corrida, ainda meio perdido com os controles aceitei a corrida parti pegar meu primeiro passageiro em uma casa na Vila Nova Conceição e levei ele até os Jardins. Eu cumprimentei-o ele não respondeu, se sentou atrás do banco do motorista, abriu o vidro e seguimos até seu destino com ele mudo e calado, onde ele desceu sem falar nada. Fiquei decepcionadíssimo, esperava conhecer muitas pessoas e trocar muitas histórias e meu primeiro passageiro preferiu o silêncio total. Mas no restante do dia as viagens foram agradáveis faturei R$180,00 e voltei feliz com o resultado. Parece pouco se levar em conta todos os custos, mas para um primeiro dia e sem estudo foi bom, sim mesmo trabalhando como Uber para ter bons resultados requer estudo e experimentação.

Segui com essa dupla jornada por 8 meses e colecionei algumas histórias

Uma das coisas que foi constantemente elogiada, pessoalmente e nas avaliações, foi a música dentro do carro. Muitas vezes ela serviu de quebra gelo para iniciar as conversas, eu gosto bastante de música se você quer ver as playlist elogiadas veja meu perfil no Spotify. Eu tinha um protocolo o passageiro entrava no carro, eu confirmava o nome, iniciava a viagem, confirmava o destino, e comentava alguma coisa, podia ser sobre o local, a cidade, o tempo, apenas para sentir se passageiro gostaria de conversar ou preferiria ir em silêncio. E alguns passageiros mesmo estando felizes com o silêncio, quebravam o gelo para perguntar da playlist, muitos, inclusive, deles me pediram para enviar a playlist para eles.

Muitas viagens eu esqueci, mas alguns passageiros foram memoráveis, ainda no tema música levei um técnico de som e dois músicos do hotel para o transamérica expo, onde trabalhariam em um show de blues e fiquei muito feliz que através da playlist eles descobriram uma banda nova de blues que lhes agradaram e não conheciam, essa banda era Carolina Chocolate Drops.

Eu gostava muito de pegar passageiros em hotéis, e frequentemente me posicionava para tal, sinto que são pessoas mais abertas a troca de experiências. Certa vez peguei um grupo de 3 alemães, que pediram para ouvir rock progressivo no carro, eles iam do hotel para um restaurante japonês de rodízio em Pinheiros. Perguntaram sobre o Café Photo, conversei com eles um pouco sobre a prostituição em São Paulo (que tem um. Texto saindo em.breve) e recomendei uma outra casa que ficava próximo ao restaurante e também os atenderia em inglês. Eles me agradeceram e no meio da madrugada deram uma gorjeta pelo aplicativo, acredito que tenham gostado da casa.

Ainda de passageiros de hotel, levei duas venezuelanas do hotel para o tuju, restaurante que chegou a ter 2 estrelas Michelin e depois se tornou o Tujuina, ao ver o destino comentei já havia estado no restaurante e falei sobre outros restaurantes com estrelas Michelin em São Paulo. Foi uma corrida curta, a conversa não foi longa, mas chegando elas comentaram nunca tinham imaginado que iriam conversar sobre restaurantes com estrela Michelin com o motorista do Uber

Em todo esse tempo de Uber eu só aceitei duas corridas que foram viagens. Uma delas peguei dois passageiros no Itaim Bibi para levar a um hotel próximo a Viracopos em Campinas. A viagem de ida ocorreu sem problemas e já era tarde entao coloquei o destino São Paulo e vim voltando na esperança de que achasse um passageiro indo para São Paulo. Logo cheguei à estrada e imaginei bom agora acho que só vai tocar em SP, mas no meio da estrada toda.uma viagem com destino Jundiaí. Quando jogo o endereço no GPS uma rua no meio do nada, pensei comigo mesmo: aonde eu vou parar, mas segui mesmo assim, então me deparo com o Hopi Hari chego próximo ao destino e uma cancela de estacionamento, converso com a atendente e ela me diz que tenho 15 minutos de tolerância, então entro e procuro meus passageiros. O tempo da tolerância se esgotando e nada dos passageiros quando estava saindo para ir embora eles me acenam e vem correndo. Era um casal da Nigéria que estavam no país a trabalho, muito simpáticos. Seguimos nossos destinos e depois encerrei o dia.

Essas são alguma história dos dias de Uber outro dia conto mais algumas, mas certamente através do Uber conheci ainda mais a cidade e me deu subsídios para procurar novas localização para as ocupações de rua da Klab. Novas metas de localização das feiras e uma maior entendimento do tipo de público de cada bairro.

Masterchef em casa

Em 2015 meu irmão e sócio o Renato Mendes resolveu participar do Masterchef Brasil Amadores. Nós já tínhamos o Kittychenlab no YouTube e ele sempre cozinhou desde criança.

Sendo eu formado em cinema e ele em publicidade fomos muito precisos com o vídeo de inscrição que se assemelhou muito à uma produção final do canal Kittychenlab. Com isso a inscrição só foi feita no final do prazo (quando provavelmente todos os candidatos já estavam selecionados e testados).

Sem uma resposta positiva. Com o programa prestes a começar decidimos que iríamos fazer uma série entitulada Masterchef em casa onde toda semana iríamos produzir uma receita com uma das provas do programa mas condições e tempo do programa.

Como nossa equipe tem 2 pessoas (eu e o Renato) e nossa verba é muito mais limitada que o programa ficou estabelecido assim. Na terça-feira assistíamos o programa escolhemos a prova a ser replicada, o Renato escolheria a receita, na quarta-feira eu compraria os ingredientes, enquanto o Renato estava na agência. Na quinta editava o copião, na quinta a noite o Renato gravava a locução e a introdução e na sexta eu finalizava e no sábado eu faria os textos e postava o vídeo no YouTube.

Primeira semana prova do avental gravamos um vídeo explicando o Masterchef em casa e colocamos a receita do vídeo de inscrição

Segunda semana escolhemos a receita, comprei os ingredientes preparamos todos os utensílios, todas as câmeras, iniciamos o relógio e… Bom deu certo fizemos a receita em 52 minutos com o empratamento. A bateria de uma das câmeras acabou no meio. O vídeo ficou uma merda. Ok! Ajuste de procedimentos vamos escolher receitas que possam ser feitas no tempo do desafio mas vamos gravar no nosso tempo. Tendo as pausas para troca de posição de câmeras planejando os enquadramentos assim teremos depois um vídeo de receita bonito e didático nos padrões do canal.

Semana seguinte deu tudo certo até que no terceiro episódio veio o bolo de camadas, se o Renato tivesse sido chamado, provavelmente, era neste episódio que ele sairia. A primeira receita de pão de ló, não deu certo, repete a receita. Esqueçemos de aquecer o forno antes para fazer o praliné e para gravar melhor resolvemos não fazê-lo ao mesmo tempo que o bolo. Depois na montagem o bolo ficou torto. Foi necessário muito malabarismo de ângulos para as fotos e vídeos do empratamento ficarem bonitos. E gravamos das 00:00 (o Renato havia saído mais tarde da agência neste dia) até às 05:00. Eu cheguei em casa minha esposa já estava no banho para ir trabalhar. Para uma prova que deveria durar 1 hora e 15 minutos, 5 horas é muito tempo de gravação.

Episódio 5, na verdade, ocorreu tudo bem nesta gravação, mas o Tartar ficou tão bom que não poderia deixar de indicar para vocês, façam essa receita

Episódio 10 Camarão com 7 ingredientes este é outro onde risco de ser eliminado era grande, a sopa de cenoura é maravilhosa, eu faço ela todo inverno, adoro, mas o camarão sobra, não tem nenhuma necessidade dele estar ali. Como a prova é do camarão acredito que seja um risco. Tanto é verdade que no nosso canal lançamos a receita da sopa de cenoura sem o camarão

Episódio 13: especial de ovos. O infame vídeo do Ovo Mollet. Primeiro erro a técnica que decidimos ensinar não leva em consideração que cada fogão produz uma quantidade diferente de calor, portanto nem todo mundo consegue reproduzir em casa. Na hora da gravação, embora o teste tinha sido um sucesso. O tempo entre tirar do fogo e preparar a cena final o Ovo já estava mais cozido então a imagem que vai para o final do vídeo não está no ponto correto. Logo este é o vídeo mais detestado e com muitos haters nós comentários, mas mesmo assim se tornou um dos videos mais vistos do canal.

No episódio 17 o tema era Azeite, bom nós abrimos uma empresa de Azeites, não precisa falar muito mais não é? Depois da sopa de morango com sorvete e azeite, no episódio 18 quem diria o prato era sorvete, voltamos a fazer sorvete.

Então chega o episódio 19 comida de herança. Iniciou-se o debate o que vamos fazer afinal fazer uma receita da nossa família perderia o sentido. Então conversando com meu pai, lembramos que ele tem uma amiga russa. Pedimos uma receita de família para ele e veio o estrogonofe negro. Meu fez uma única exigência, que no título mencionasse que era uma receita russa. Então o título foi uma tradicional receita russa, mas que depois mudamos para uma autêntica receita russa

No final de 2016 com a mesma receita e experiência do Masterchef em casa o Renato se inscreveu novamente no Masterchef e desta vez foi chamado para edição 2017.

Feiras Inusitadas

Ao longos destes 5 anos de Klab as feiras de pequenos produtores foram um parte muito importante do nosso modelo de negócio e a maior parte do faturamento da empresa (se você não sabe exatamente o que difere a feira de pequenos produtores confira aqui). Em outro texto ainda vou falar da experiência com os grêmios e nossa primeira feira, mas em 2018 ainda estávamos descobrindo nosso público e em 2019 a meta era estar em todos os lugares de São Paulo achar onde nosso público frequentava. Esta ambição de encontrar onde meu cliente está, e de descobrir pontos de vendas inovadores fez com que nestes 2 anos eu soubesse de praticamente todas as feiras que ocorriam em São Paulo e eu participei com Klab de muitas delas e visitei como cliente mais um tanto das outras. O Plano era saber o perfil de público de cada feira e cada local.

Quando falamos de organizadores de feiras é importante entender que os expositores (feirantes) são os clientes, afinal são eles que pagam, antecipadamente, os custos da feira e na maior parte dos casos o lucro do organizador, o público da feira é o produto, aquilo que o expositor quer alcançar. Muitos organizadores tem dificuldade de entender que a organização de feiras não é um serviço de aluguel de estrutura, e sim um serviço de venda de público, assim como o Google ou Instagram (Meta agora).

É impressionante o quanto a maioria dos organizadores de feira não conhece seu produto, mesmo feiras famosas, que vendem bem, não são capazes de corretamente definir a demografia do seu público. A maioria das feiras nem se dá o trabalho de tentar definir qual é o público que vendem, os que tentam definir geralmente colocam em sua apresentação colocam algo como Classes A e A+ 20 a 70 anos, homens e mulheres. enquanto na verdade nenhuma feira tem essa abrangência toda de idade e geralmente os publico são classes B e C.
Lembrando que o IBGE define classe C como de 4 a 10 salarios minimos de renda, classe B de 10 a 20 e A acima de 20 salarios minimos de renda. a definição de A+ não faz parte do IBGE, mas é esperado que seja o 1% ou 5% mais ricos da cidade.
Até hoje só conheci 4 feiras focadas na classe A (Feira na Rosenbaum, It Brands, Bazar da Praça e Made with Soul) e 1 focada no publico A+ (Agencia Conceito). Embora existam alguns consumidores da classe A em outras feiras, para você ter uma feira focada na classe A, você está falando em mercado do luxo e aí as exigências são muito mais altas, além de que quanto maior o poder aquisitivo menor é o público, uma feira como a agência conceito recebe nem 100 clientes em dois dias, porém as vendas tem ticket médio altíssimo. Então é um contrassenso você fazer a propaganda de feira com público A e A+ e esperar receber 3000 pessoas por dia.

Tudo isso para dizer que feiras de pequenos produtores com público menor são mais lucrativas que feiras de grande público, desde o público vendido pela feira tenha sintonia com o seu produto. Hoje eu sei disso mas nem sempre foi assim.

Então no começo da Klab a meta era grande público. Nós começamos vendendo dentro da agência que meu irmão trabalhava à época. E um dos colaboradores que se tornou nosso cliente era maçom e bastante envolvido na loja de Guarulhos. Ele nos convidou para vender em alguns eventos da maçonaria em troca de pagamento de uma comissão de vendas para a loja. Nunca fomos contra o pagamento de comissão, na minha visão é uma das formas mais justas de remuneração nestes eventos, cada lado tem seus custos e se vender ambos lucram e se não vender o prejuízo para nós é menor. Ainda que não de forma equalitária, mas é uma forma de dividir os riscos.
Esses eventos da maçonaria já atingiram um publico maior e tiveram um resultado maior que os grêmios, logo meta atingida então conhecemos um casal que realiza um evento enorme, que é um almoço em um sitio com costela no chão. Eles nos convidaram, assim como muitas feiras teria um custo, e ele disse: “Levo 2000 pessoas” , impressionados com o número prontamente fechamos o contrato.

Na semana do evento recebo a noticia que no sitio tem apenas sinal da Nextel. Logo pensei se não tem sinal de celular, maquina de cartão de crédito não funciona. Eu tenho uma maquina de cartão que funciona por bluetooth e usa a internet do celular, então fui até a nextel e comprei um chip prépago com créditos para internet. Chegando no sitio realmente devia ter 2000 pessoas no evento, a costela no chão era muito boa, mas era um almoço era relativamente barato e com muito fartura. Montei minha degustação e a maioria das pessoas não entenderam o produto, alguns perguntavam o que era, alguns poucos provaram, mas ninguém comprava. Eu estava em um evento com 2000 pessoas, em que ninguém era meu público, até que no meio da tarde um cliente pergunta: “O que é?”, prova, gosta e pergunta: “Você aceita cartão?” Prontamente respondi que sim, e ele me disse: “Que ótimo, ninguém aqui aceita, se eu levar um azeite você pode passar um valor a mais e trocar em dinheiro. Quero comprar uma água para minha familia”. E assim eu fiz a única venda do evento. Esse foi o primeiro evento em que tive prejuizo e passei a entender que grande público não significa grandes vendas.

Dentre as muitas proposta de feiras que recebi, chegou uma para vender os azeites na área da piscina de um clube. É meu público? Talvez até tenha parte do meu público entre os sócios, porém meus rótulos são de papel e tem aversão à água. Numa piscina qual é a chance de um cliente querer carregar uma sacola (de papel diga-se de passagem) com um vidro de azeite dentro?

Eu acredito que nos menores eventos (até pelo custo reduzido) os lucros são melhores, mas é necessário escolher bem. Então chega a proposta: feira em um baile da terceira idade. Bom, obviamente a organizadora do evento não sabia muito bem qual o seu produto. Mas vamos analisar. O baile acontece em um clube em uma bairro de classe média e cobra entrada que não é muito cara, mas também não é simbólica, ok! Então o público tem poder aquisitivo, para comprar meu azeite, é um baile de dança de salão num fim de semana a tarde, logo espero um publico bem mais velho e que provavelmente tem recomendação médica de consumir azeite, se já não for um hábito. O custo é baixo. Eu gosto muito de dança de salão então vamos!

Chegando no clube o baile acontece no 3o. Andar do clube e não tem elevadores. Lá vou eu subir com 70kg de vidros por três andares de escadas. Logo comento com a minha esposa, que me acompanhava, “Pelo menos na volta as caixas estarão bem mais leves”. Chegando no 3o. Andar salão de baile a esquerda sala da feira a direita. Monta tudo na sala, se apresenta para os outros expositores, conhece os produtos, experimenta o que é de comer e aguardo. Começa a música e nada do público. Muitas músicas depois e ninguém entra na sala da feira. A organizadora da feira sobe ao palco, fala da feira, sorteia um voucher de r$100,00 para usar na feira, pensei agora vai. A ganhadora do voucher vem até a sala da feira olha todos os produtos e escolhe uma maquiagem. Fim do baile alguns expositores compraram azeites, vale lembrar que sempre se deve tratar bem os outros expositores por mais que eles sejam concorrentes eles também são clientes. Ou seja, no fim do dia eu saí com prejuízo e tendo que descer com 69kg de vidros por 3 andares de escadas.

Mais de lugares não muito convencionais. Uma cliente tem um SPA e então ela resolveu fazer durante a semana para dar uma movimentada um SPA Night. As clientes compravam um pacote e tinham direito a vários serviços do SPA no esquema de rodizio, teriam, sorvete a vontade e neste dia na recepeção do SPA estava eu com a degustação de azeites, uma revendedora naara e o carrinho de sorvetes. Então no começo da noite recebo todas muito educadamente apresento a linha de produtos, as mulheres provam e vão para o SPA Night. Passam-se muitos minutos surge alguém pega um pãozinho com azeite e volta e assim foi das 19:00 até as 23:00. As 23:00 já estava desaniamdo achando que não venderia nada, minha esposa já brava achando que eu estava na gandaia. As clientes passam denovo e começam, separa para mim 1 deste, 1 deste outro e 1 kit para presente. na sequencia outra cliente. eu gostei vou levar esses dois, e assim por diante. Saí do SPA a 01:00 da manhã com uma boa venda e um lucro muito bom considerando o investimento, e voltei feliz mesmo quase tendo que dormir no carro e na manhã ter que convecer minha esposa que eu estava até 01:00 da manhã com 20 outras mulheres, mas que eu só vendi azeite.

Circus Club

Durante alguns anos trabalhei como fotógrafo para o Circus Club, um bingo em São Paulo quando eles eram legalizados, eles tinham uma visão diferente da maioria dos bingos, assim como as feiras de pequenas produtores (do post anterior, clique aqui para ler) eles investiam no lúdico. Promoviam festas com atrações por toda a casa e tinha um pequena casa de espetáculos dentro do bingo assim era possível ver grandes shows antes, durante ou depois de jogar o seu bingo.

E quando digo grandes shows, eram nomes muito respeitados em outros tempos, eles aproveitavam artistas muito famosos anos antes, mas que já não estavam no auge carreira, então fotografei nomes como Cauby Peixoto, Peninha, Dudu Nobre, Toquinho, Elymar Santos, entre outros e estas noites renderam algumas curtas historias.

O Espaço era muito bonito e o palco ficava em cima do bar. Logo no primeiro show me consultaram sobre um possível problema. O Cauby Peixoto, devido a idade avançada, não conseguiria subir a escada para acessar o palco. Na hora me lembrei das gruas cinematograficas que já havia operado, porem a posição do bar talvez não permitisse o uso da grua para levar o Cauby até o palco, então embora nunca houvesse utilizado, sabia que os mesmos fornecedores que alugavam a grua, também alugavam elevadores hidraulicos, que caberiam no espaço do bar. Após uma visita técnica foi constatado que as grades de segurança do elevador hidráulico não abriam completamente e que o acesso seria mais díficil para o Cauby que subir as escadas. Abortado o plano, a solução foi puxar um novo cabeamento e a banda ficaria no palco sobre o bar e o Cauby cantaria sentado no bar. Esta configuração deu um tom intimista a apresentação e poder estar tão perto do Cauby fez do show um sucesso imediato e este show se repetiu diversas vezes, sendo sempre muito aguardado.

Cauby Peixoto cantando do bar

Elymar Santos, já tinha ouvido falar do Elymar, mas não conhecia a fundo seu repertório ou mesmo seus shows, quando cheguei na casa todos os lugares estavam lotados e os corredores intransitáveis, embora a reservas das mesas fosse limitada (e gratuíta) como haviam máquinas de bingo no andar dos show o acesso era liberado, logo previa que seria uma noite muito díficil; foram colocadas restrições de acesso à mesa de som para se poder trabalhar. Nesta noite passei a maior parte do tempo fotografando da mesa de som devido a grande dificuldade de se locomover pelo salão, nunca tinha visto tanto fã (no sentido de fanatismo mesmo) muito gritaria, algumas peças intimas voando e recebi não uma mas diversas proposta de clientes para que pudesse deixá-las acessar o camarim do Elymar. Mas como showman tenho muito a elogiar o Elymar ele não só faz um excelente show como o show desta noite durou 4 horas, cheguei destruido em casa, e é claro as 07:00 da manhã tinha que entregar as fotos das celebridades que frenquentaram para a assessoria de imprensa, durmi muito pouco nesta noite mas certamente foi dos melhores show que vi.

Elymar Santos

Por falar em prospostas. Show do Dudu Nobre, uma das vantagens de trabalhar na casa de show é que eu tinha direito a levar comigo uma pessoa, que para shows mais importantes era um assistente de fotógrafo mas para show mais tranquilos por vezes levava alguns amigos para assitir o show, neste dia em especial eu sabia de uma conhecida que era muito fã do Dudu Nobre, então lancei o convite ela topou.
Durante o show tudo ocorreu conforme o previsto e após o show, como ocorria todos os shows, as celibridades que estavam na casa iam até o camarim eram feitas fotos das celebridades junto do artista e depois eles permanciam no camarim eu ia embora. Este camarim era muito, mas muito apertado mesmo, então havia um truque para conseguir as fotos de das pessoas juntas. eu Ficava na entrada do camarim com o joelho apoiado sobre o sofa e fotografava as pessoas através do espelho, conseguindo assim recuo suficiente para fotografar 2 pessoas de corpo inteiro ou até 4 pessoas da cintura para cima. Eu fiz as fotos do Dudu Nobre com uma atriz (que, sinceramente, não me recordo o nome e tão pouco sei se ela lembra desta situação) que participou na época do programa do João Kleber, ela foi a primeira e enquanto fotografava as outras pessoas do camarim, ela se sentou no sofá ao meu lado e alisou minha perna enquanto eu fazia o restante das fotos, saí do camarim, fui aos bastidores guardar o equipamento, encontrei minha amiga e no caminho da saída encontrei a atriz e ela me pergutou como fazia para ver as fotos. Neste momento eu educamente apresentei minha amiga como minha namorada e disse que poderia entrar em contato com a Gisa do Marketing que ela passaria as fotos, olhando em retrocesso hoje, eu poderia ter passado meu telefone (como normalmente fazia) apesar do assédio poderia ter virado alguma oportunidade de trabalho. Isso me lembra de uma outra história no Café Gaugin, mas esse assunto é para outro texto.

Dudu Nobre

Entre os muitos eventos que fotografei tiveram alguns momentos muitos emociantes, mas certamente um dos que mais me emocionou foi com o Chico Anysio. O Chico fez uma temporada de Shows No Circus Club em 2005. Na época o Chico Anysio ainda não falava com Tom Calvalcante, após um desentendimento entre eles quando Tom Cavalcante deixou a Escolinha do Professor Raimundo para fazer Sai de Baixo. Eis que em um dos shows da temporada, Tom Cavalcante aparece para ver o Chico. O Chico Sempre sentava no salão entre as maquinas de bingo para receber os fãs e enquanto recebia os fãs, o Tom Cavalcante chegou por trás e abraçou o Chico na cadeira, essa cena não foi registrada por ninguém, atendendo a pedidos, afinal este era o momento deles, existem muitas poucas fotos deste dia, esta abaixo foi uma delas. Depois do show, Chico e Tom começaram a escrever Chico.Tom o ultimo show de Chico Anysio antes de falecer.

Chcio Anysio e Tom Cavalcante se Reencontrando no Cirus Club

Um outro dia muito emociante, também, foi um dia que estava marcado um show do Cauby Peixoto. No camarim, momentos antes do show, o Cauby começa a passar mal e é removido pela ambulancia. Estava na pláteia neste dia o Raul Gil. Quando o Adilson, dono do Circus Club, foi ao palco e anunciou que Cauby havia passado mal e estava sendo removido para o hospital o Raul se prontificou a cantar em homenagem ao amigo para que ele ficasse melhor e fez para o publico ali presente um curto show de apenas 30 minutos junto da banda de Cauby. Neste dia descobri que o Raul Gil é um ótimo cantor e certamente foi um momento muito memorável, a equipe comprou um cartão e todos ali presentes assinaram o pedido de melhoras e foi enviado ao Cauby. Cauby se recuperou novamente e ainda fez varios outros show no Circus Club.

Raul Gil cantando em homenagem à Cauby Peixoto

Todo esse tempo trabalhando na noite, ou melhor até a metade da noite me fez conhecer quase todas as opções centrais de São Paulo para comer na madrugada, mas este é um outro texto.

Feiras de Pequenos Produtores

Nosso (meu e do meu irmão) canal de culinária no YouTube rendeu uma oportunidade de criar uma linha de produtos e assim começamos a vender azeites aromatizados. Logo no começo veio a questão onde vender?

O Renato (meu irmão) trabalhava em uma grande agência de publicidade que de vez em quando recebia uma pessoa que vendia queijos. É muito tradicional aqui em São Paulo comerciantes que compram queijos em minas gerais direto do produtor e revendem dentro das empresas para os colaboradores. Então ficou decidido que essa seria a primeira tentativa. Este formato de venda dentro das empresas é conhecido com grêmios.

O primeiro grêmio foi um sucesso. Eis que é um formato muito interessante, você tem a oportunidade de ouvir o cliente, ou cliente potencial, num bate papo descontraído, se você é uma pessoa capaz de fazer o cliente se sentir confortável e relaxado, a resposta é maravilhosa. Você ouve, vê, e sente o que cada público pensa sobre seu produto. É uma ajuda incrível para fazer ajustes na linha de produtos e para conhecer quem são as personas do seu cliente.

Pesquisando sobre grêmios descobri a feira de economia criativa, também conhecida como feira de pequenos produtores e as vezes como feirinha ou até a feirinha de artesanato. E aí?, é tudo a mesma coisa? Bom para os olhos da prefeitura existem dois tipos: a feira livre (aquela que tem frutas, legumes e pastel) e eventos temporários; mas aos meus olhos tem muita diferença e cada uma tem um propósito.

Aqui acho que cabe um parênteses, se você ainda não conhece a Klab Azeites, essa é marca de produtos que constitui junto com o meu irmão, fazemos azeites aromatizados, e mais do que isso nos importamos muito com a apresentação do produto e da marca, gostamos de incentivar e trabalhamos a experiência do cliente, temos um produto que tem muito poucos concorrentes no Brasil e ainda menos entre os produtores artesanais, temos uma forte ligação com inovação e sustentabilidade na marca. Essas caraterísticas fizeram com que tivéssemos muito, mas muito acesso às feiras de economia criativa, combinado com fato que eu sou um comunicador e sempre mantive dialogo com os organizadores e outros expositores, isso me colocou em uma posição muito privilegiada de conhecer, testar, e até em alguns casos influenciar sobre as feiras de pequenos produtores.

Tem alguns eventos que posso salientar, todos são feiras e tem modelos de negócios semelhantes.

Primeiro o formato mais antigo, pelo menos em São Paulo, é a feira livre, onde os feirantes são produtores agrícolas na sua maior parte e escoam as suas produções de seus sítios e fazendas, embora existissem desde o séc. XV em São Paulo, elas foram regulamentadas em 1913 e era um lugar livre de atravessadores onde o munícipe poderia comprar direto do produtor. Em 1948 a cidade legislou que deveria haver pelo menos 1 feira livre em cada subdistrito ou bairro da cidade. No final do Século XX a feira livre mas não era bem vista pela sociedade com uma imagem abalada pela falta de compromisso de alguns feirantes, muito lixo sendo deixado na rua após os eventos e o fortalecimento de supermercados e sacolões pela cidade. Porém no inicio dos anos 2000 um movimento saudosista dos munícipes começa a considerar a experiencia da feira como algo bom, um amor pelas relações comunitárias entre as tendas coloridas, um apreço pelo feirante servindo frutas na ponta da faca, ou a promoção gritada no topo do pulmão. Tudo isso em conjunto com uma nova regulamentação que faz a limpeza da rua ao final da feira, com a aceitação dos feirantes e dos consumidores que eles não precisam competir em preço com o supermercado e é claro a aceitar a figura lúdica da feira (afinal feira significa festa, mas esse é tema para outro texto), guardem essa informação ela é muito importante.

Feiras Corporativas normalmente acontecem em grandes pavilhões e são focados em B2B (Negócios entre empresas) aqui entram a FeiCon, a Fispal e até a Natural Tech (sendo que a Natural Tech também é muito boa em vendas para o Cliente Final pessoa física). O objetivo destas feira é conectar o expositor com outras empresas com as quais ela possa fazer negócio, firmar contratos mais duradouros e é uma feira onde a uma exposição de marca é muito grande. Como a maioria dos negócios gerados são fechados após a feira é muito difícil medir seu real retorno financeiro.

Feirinha de Artesanato, você já ouvi alguma vez a expressão “Vou vender miçanga na praia”. Em São Paulo quando se fala em Feirinha de Artesanato a primeira coisa que vem a cabeça são as feiras no litoral paulista onde artesões vendem trabalhos manuais que em sua maioria são acessórios de moda ou peças de arte feitos com materiais baratos a preços acessíveis. Não existe muito uma preocupação com uma linha contígua de produtos ou com a experiência de compra do cliente.

Feirinha de Artes e Antiguidades, em um modelo de apresentação semelhante a feirinha de artesanato mas foca em comprar e vender objetos e objetos de arte usados e antigos

Feira Gastronômica, este formato começou a ganhar importância depois dos anos 2000 e virou uma febre depois da participação do renomado chef Alex Atala, proprietário de um restaurante com estrelas Michelin, na feira gastronômica da Virada Cultural de 2012. Aqui o enfoque é a comida, seja ela para pronto consumo ou para levar para casa. E é aqui que as coisas começam a ficar diferentes. Com a participação de grandes restaurantes e profissionais muito renomados em algumas destas feiras começa a surgir preocupações com a experiência do cliente. Embora a feira livre já vende-se pastel na rua desde dos anos 1940, foi a chegada destas marcas com reputações estabelecidas que fez o ponto de virada da feira entre um local de compras para um local de lazer. O publico não ia mais para feira porque precisava comer e sim para ver o que determinado expositor está servindo e mais importante como ele faz. Existe algo mágico na comida de rua se é possível fazer num espaço tão limitado, tanto fisicamente como de estrutura, com certeza posso fazer casa; embora nem sempre seja verdade esse pensamento causa um encantamento do simples porem surpreendente.

Existem também as feiras de tradições regionais como a Feira da Kantuta e Feira da Liberdade que representam a comunidade boliviana e oriental, respectivamente, embora elas sempre fossem vistas como atividade de lazer pelos paulistanos, elas não estão relacionadas com a formação da feira de pequenos produtores como conhecemos hoje.

A Feira de Pequenos Produtores, esse é o mais moderno formato de feira e ao mesmo tempo o mais antigo. Aqui o evento se assemelha a uma festa onde o conforto e felicidade do cliente é fundamental. A palavra mais importante aqui é curadoria, estas feiras acontecem por vezes em espaços públicos e outras em espaços privados. O grande charme deste evento, para o público, está em ver a seleção de produtos que o curador selecionou para aquela edição, conhecer pessoalmente os produtores, artesões e pessoas responsáveis pela confecção dos produtos, ter um toque humano que na maioria das vezes não está disponível em grandes lojas, conhecer e inquisicionar o quão especialista cada um destes produtores é no seu nicho, é uma oportunidade de aprendizado e em muitas barracas uma experiencia vivenciada que pode, muitas vezes, ser tópico de conversa ou até mesmo reproduzida dentro do seus círculos sociais. Estas feiras são eventos, além dos expositores com seu produtos e experiências, o dia do evento conta, com workshops, shows, atividades para crianças e qualquer entretenimento imaginável para se tornar um passeio de dia inteiro, que como consequência gera venda para os expositores ali presentes. Mas só o entretenimento não basta, a seleção de produtos passa por pessoas extremamente preparadas com produtos muito bem acabados, profundo conhecimento sobre suas respectivas áreas de atuação, e muito valor agregado, que estão dispostos a trocar seus produtos por remuneração e muitas vezes por outros produtos, também, assim como doar suas histórias de vida e conhecimentos para os clientes.

Eu disse lá atrás que encontrei a feira de pequenos produtos pesquisando sobre o feira de economia criativa, mas afinal, o que é feira de economia criativa?

A economia criativa são os negócios sobre o “criativo”, além do obvio como a arte, o desenho, o cinema, ela passa também pelo design, pela inovação e pela sustentabilidade. Quando aplicamos uma nova visão sobre um produto, problema, solução e conseguimos rentabilizar essa nova vertente estamos praticando a economia criativa. Ela está muito interligada com o conceito moderno de hackear, ou seja de subverter a regra ou ausência dela para obter um resultado mais favorável com menor esforço ou maior sustentabilidade, também muito próxima com a criação de produtos ambientalmente mais saudáveis e com o comércio local.
As feiras de pequenos produtores são na verdade grandes focos de economia criativa pois os produtos que estão ali fogem muito do lugar comum, são produtos que não podem ser encontrados em outros lugares, muitas vezes, que trazem inovação, sustentabilidade e mesmo que sejam tradicionais resgatam praticas saudáveis, que foram perdidas pela sociedade, essas feiras são um florescer de visões criativas e um palco formidável de conexões e networking.

Vou mais além e ainda digo que a Feira de Pequenos Produtores é a economia criativa da Feira de Artesanato, lembra que eu falei do lúdico da feira livre? A Feira de Pequenos Produtores inova ao trazer o lúdico à feira de artesanato, resgata a tradição da festa ao trazer outras atividades ao cerne da ocupação do espaço e transforma um opção de compra simples em uma complexa opção de lazer.

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