É Carnaval! Multidões tomam as ruas da cidade de São Paulo para dançar, curtir e aproveitar o espaço público.
Hoje a cidade está no calendário como um dos melhores carnavais do país com os desfiles no Sambódromo e bloquinhos com grandes nomes da música que atraem milhares de foliões. Mas nem sempre foi assim.
A partir da decada de 1970 a cidade (principalmente os bairros de classe médio e alta) iniciou um processo de privatização dos espaços. O aumento da violência e a sensação crescente de insegurança fez que as pessoas gradativamente preferirem os espaço privado e fechados sobre os espaços públicos, começa também,a cidade, a se fechar erguendo muros e grades para separar o espaço privado do público. As construções que conversam com a cidade e as fachadas ativas estavam se tornando cada vez mais raras. Cada vez mais o espaço público era visto como inóspitos e perigoso. Praças são transformados em parques com grades, horários e regras. O espaço público remanescentes como a ser visto como contemplativo com mobiliários cada vez mais desconfortável para que não seja usado, inibir moradores de rua, e transforma espaços em cívicos em lugares de passagem.
Nesta época os bloquinhos são raros, manifestações culturais, quase todas ocorrem em lugares fechado como o Sesc.
A gentrificação chega a um grande auge até que em 2011…
Churrasquinho da gente diferenciada
Em 2011 durante o planejamento da linha 6 laranja (hoje ainda em construção) foi planejada uma estação no meio do bairro de Higienópolis, um tradicional bairro sempre ligado as elites paulistanas. A Associação de moradores do bairro fez um ofício ao governo do estado solicitando que não fosse construída a estação no meio do bairro com algumas justificativas. Esse ofício se tornou público e uma parte em questão foi muito marcada, ela alegava que a estação trairia comércio ilegal, e gente diferenciada para o bairro.
Um morador indignado a atitudes de seus vizinhos resolveu, como forma de protesto, iniciou um evento fictício no Facebook, uma chamada para um evento chamado churrasquinho da gente diferenciada que ocorreria na frente do shopping Higienópolis dia 14/05/2011. O criador do evento não tinha nenhuma intenção de comparecer ao local na data marcada, era apenas uma forma de protesto virtual. Entretanto o evento viralizou e atingiu milhares e milhares de pessoas, que confirmaram presença no evento e se manifestaram em apoio nos comentários. Ao se aproximar da data o criado do evento no Facebook recebe uma ligação da polícia para dizer-lhe que ele não poderia marcar um evento sem pagar as taxas e notificar a prefeitura, cet e polícia. Ele logo em seguida escreve sobre o ocorrido e cancela o evento no Facebook. Quase que imediatamente ativistas e advogados que estavam confirmados no evento entram em contato com o criador do evento para afirmar que a manifestação está amparada pela constituição, que o próprio fato da polícia ter entrado em contato com ele prova de que eles foram notificados e que o evento deveria acontecer. Em pouco tempo o evento volta a ativa e no dia 14 de maio de 2011 cerca de 900 pessoas se reúnem em frente ao shopping Higienópolis, com direto a mutas churrasqueiras.
Com tamanha pressão o governo volta atrás e hoje a estação está sendo construída.
Este evento é quase que um divisor de águas, ele marca a volta do interesse pela classe média em ocupar as ruas. E então surgem muitas organizações promovendo eventos em espaços públicos sejam eles políticos ou não. Se destacam algumas como o Sampapé! (Que iniciou o programa ruas abertas que tem até o hoje como resultado o Paulista aberta todos os domingos e feriados), Casa fora do eixo que organizou diversos festivais em espaço público, alguns movimentos políticos como o MBL e o Passe livre responsável pelas grandes manifestações de 2013 pelos transportes.
E com todo esse interesse pelos espaços públicos surgiram também movimentos de revitalização do espaço público como aconteceu na praça Vitor civitta pela ed. Abril, a Horta dos corujas na Vila Madalena e a Praça da Nascente na Pompéia.
E nada mais democrático e horizontal e feliz que um bloco de carnaval e aos poucos os número de blocos foi crescendo em São Paulo e tomando todos os espaços no carnaval, e um fim de semana antes e um depois.
Este ano os blocos são uma atração tão grande ou maior que o desfile do sambódromo. Pessoas vem de todo o Brasil e até de outros países (recebi um cliente que veio de Bogotá somente para os bloquinhos) para ver os bloquinhos . Este ano são 507 cortejos ao todo. Com blocos tradicionais, infantis, de rock, sertanejo e claro tradicionais como minhoqueens e casa comigo.
Então se você curte aproveite a época onde as ruas são mais ocupadas em São Paulo. E volte para a Virada cultural outro grande evento de rua, mas que merece um posto exclusivo pois também é uma boa história.










































