Uma vez em uma roda de conversa com outros motorista, estávamos conversando sobre se irritar ao carro. Um dos colegas disse identificar o momento que stress começava a tomar conta dele. Era quando ele começava a conversar com o trânsito. Esse era seu indicador de quando ele precisava parar para tomar um café, esticar as pernas, e relaxar um pouco.
E realmente faz todo sentido independente do que tenha nos deixado estressado, seja o horário, o custo daquele translado aumentado, um compromisso, um passageiros desagradável ou uma necessidade fisiológica; nos passamos a conversar, comentar, falar, gritar, esbravejar, buffar e xingar o transito. Mas afinal quem é o Trânsito? Deveríamos fazer um chá revelação para saber se é um homem, uma mulher ou apenas uma entidade que muitos de nós convivemos.
Nós não estamos bravos com o motorista da frente ou aquele que fechou o cruzamento então furiosos com o ambiente insalubre que é o Trânsito.
Nossas ansiedades saltam a flor da pele no momento que queremos nos deslocar e somos impedidos. No Brasil a importância de deslocar é tão grande que o direito de ir é vir é garantido na constituição
Quem vive em São Paulo há algum tempo com certeza já teve alguma experiência com o trânsito.
Mas nem sempre a experiência decorrente do trânsito é ruim.
Robert Capra já dizia que muito da sua inspiração vinha da arte de flanar.
Flanar é um verbo francês é o ato de andar pela rua admirando os pequenos instantes e momentos da vida. Quase como um voyeur.
E muitas vezes o trânsito pesado nos permite flanar, algo que não seria possível se trânsito estivesse fluido.
As vezes vemos um acidente, uma cena engraçada ou beijo apaixonado no carro do lado. E estes momentos simples moldam nosso humor.
A redução de velocidade do trânsito nos permite viver a cidade mais próximo da sensação de um ciclista ou um pedestre.
Observar lugares agradáveis e desagradáveis, nos imaginar vivendo no bairro.
Apesar do estigma de sempre falarmos mal do trânsito ele pode proporcionar uma redução do nosso ritmo frenético e também pode trazer bons momentos.
Em São Paulo em bem comum sairmos com 1 hora ou mais de antecedência para um compromisso. E eu te pergunto como você usa essa tempo? Você já prestou atenção em como você lida com esse tempo de deslocamento. Se você passa esse tempo dirigindo muito da sua atenção está no ato de dirigir, entretanto o você sabe o que acontece a sua volta? O que você escuta? Com quem você conversa? Será que esse momento pode ser mais prazeroso?
Mas se você vai como passageiro, qual meio de transporte você escolhe? Será que não vale mais a pena ir de ônibus e observar a paisagem do que o metrô?
Eu transporto pessoas (e as vezes outros seres vivos ou produtos) como profissão e muito do qua faço é para trazer uma boa experiência de translado para o meu cliente.
Então é importante o carro estar limpo. Ter uma lixeira no banco de trás ajuda os clientes a manterem o carro limpo. No meu carro você não ouve o rádio e sim um playlist pensada por mim que pode variar mas sempre agradável. Quando o cliente gosta de conversar procurar tornar o papo sempre prazeroso e falar sobre os eventos e curiosidades da cidade de São Paulo. O cheiro também tem um papel importante e eu trato dele de duas formas: eu tenho um gerador de ozônio que uso para eliminar qualquer cheiro ruim que possa ter ficado no carro, não importa a origem. E tenho um aromatizador solar, está semana estou usando essência de lavanda para deixar o clima mais aconchegante. Afinal o carro é meu escritório e quanto melhor o clima, de melhor humor eu vou trabalhar.
E você o que faz para tornar a sua experiência no trânsito melhor?