Av. Paulista

A Avenida símbolo de São Paulo, desde de sua idealização, foi projetada para ser importante.

Está ideia que depois se tornaria o símbolo da cidade. Começou com o engenheiro uruguaio Joaquim Eugênio de Lima, que batiza a rua de ligação entre o morro dos ingleses (lugar das casas dos altos executivos da São Paulo Railway) com o bairro dos jardins.

Joaquim Eugênio de Lima idealizou um espaço para elite paulistana da época em um terreno de vista privilegiada na parte mais alto do morro da Caagaçú (segundo ponto mais alto de São Paulo perdendo apenas para o pico do Jaraguá) um lugar com amplo e contemplativo passeio, uma reserva de mata atlântica e lotes enormes para que as residências não ficassem tão próximas como no centro.

Joaquim começou a comprar chácaras do cinturão de chácaras da cidade que tivessem em seu terreno uma parte do morro do Caagaçú. Chama a atenção a aquisição da chácara Bela Vista e aquisição de uma parte da chácara do Capão de Mariano Antônio Vieira (um dos primeiros especuladores paulistanos) que não vendeu todo o terreno pois viu uma oportunidade de negócios, mas essa história faz parte da Rua Augusta.

Então em 1891 lançou o loteamento da avenida Paulista, ainda neste momento avenida da Real Grandeza, alguns pontos visionários deste projeto:

– a primeira avenida totalmente planejada da cidade

– a avenida da Real Grandeza contava com largos passeios para os pedestres, uma faixa para bondes (Afinal Joaquim era sócio da Cia de Carris Urbanos que depois se tornou CVP – a empresa dos bondes puxados a animais da cidade) e outra para carroças

– Em seu centro constava para um dos lados um terreno que não seria vendido e será mantido a mata nativa de São Paulo para contemplação e estudo, hoje neste trecho funciona o parque Trianon (hoje parque Tenente Siqueira Campos) onde vive a árvore mais idosa da cidade.

– E no lado oposto ao parque Trianon um terreno em quem fosse utilizá-lo deveria manter a vista da avenida para o vale do Anhangabaú, e assim é até hoje.

Apesar da avenida Paulista ser inaugurada em 1891 com uma faixa destinada aos bondes, não havia nenhuma ligação com Centro pronta, os bondes só vão chegar à Paulista em 1900, nesta época na cidade existiam os bondes elétricos da “Light” e os puxados por burros da Companhia Viação Paulista (CVP). Os bondes da “Light” subiam pela rua Augusta e da CVP pela consolação. Iniciou-se uma corrida, pois quem coloca-se trilhos primeiro na Av. Paulista seria capaz de operar a linha da avenida. E as duas companhias se encontrar na rua Augusta com a avenida Paulista e ouve uma discussão e confronto que ficou conhecido como a batalha dos trilhos em 1900. Por fim quem operou a linha paulista foi a “Light” para desgosto de Joaquim Eugênio de Lima que era acionista da CVP.

Também na avenida Paulista lugar dos grandes casarões da elite paulistana que funcionou o Belvedere Trianon um espaço que era reduto da elite, e intelectuais da sociedade paulistana. Parada obrigatória para os estrangeiros visitando a cidade e lugar onde os artistas e intelectuais da época lançara o manifesto modernista e a semana de arte moderna de 32.

Em 1940 começa a verticalização da avenida com a contrição do edifício Anchieta na esquina com avenida da Consolação.

Da década de 50. chegam à Paulista dois importante projetos quase que ao mesmo tempo o edifício Nações Unidas que é um projeto de uso misto (comercial e residencial) e o conjunto nacional importante março na avenida até hoje, onde se instalou o Fasano que passou a ser o ponto de encontro da elite depois da demolição do Belvedere Trianon.

Já em 1968 é inaugurado o MASP com seu famoso vão livre e ele não está ali ao caso; a prefeitura era dona do terreno e colocou em edital que doaria o terreno para uma instituição cultural, desde de que a vista da avenida Paulista para o vale do Anhangabaú fosse preservada. Então a arquiteta Lina Bo Bardi projeto o enorme vão livre do MASP que foi o maior do mundo por algumas décadas.

Em 1991 metrô chega à avenida e torna ela ainda mais acessível e uma queridinha do coração do paulistano. Com uma enorme concentração de pontos culturais de cinemas à museus, a Paulista é um destino certo ao turista e ao paulistano.

Em 28 de junho de 2015 é inaugurada a ciclovia da avenida Paulista e também neste dia ocorre o teste do que se tornaria o programa Paulista aberta, onde todos os domingos e feriados a paulista é interditada para os carros e ônibus e aberta somente para pedestres e bicicletas. Um projeto que o Sampape! (vou falar deles em breve no blog) ajudou a criar desde a concepção.

Esse caldeiraria cultural, de atividades e pertencimento é com certeza um destino de São Paulo que merce muito ser conhecido um epicentro comercial, turístico, de lazer e também residencial com certeza uma súmula de toda a essência do paulistano e que como não podia de ser fica junto da Rua Augusta (mas essa é uma outra história).

Deixe um comentário

Crie um site como este com o WordPress.com
Comece agora